Fiquei um tempo afastada das redes sociais. E aqui quero dizer, de tudo o que é digital mesmo.
Na verdade, tudo o que é digital estava me causando um mal-estar gigante.
Eu, que nasci em uma geração onde ainda não existiam celulares, e vivi exatamente a transição de uma era em que não éramos acostumados a viver conectados para uma era em que somos altamente “bombardeados” – com perdão ao uso dessa palavra neste momento – o tempo todo por informações de todos os tipos e formatos, cheguei aos quase 40 anos à beira de um colapso mental.
Pois é, no final de fevereiro, passei por um burnout.
Logo eu, que sempre fui uma Polyana, que sempre busquei o lado positivo de tudo, me vi em uma exaustão mental onde eu abria o computador e tudo o que conseguia fazer era chorar.
Não tive escolha. Precisei parar.
Sabe, depois de 9 anos vivendo a vida no exterior, longe do país onde nasci, aprendi e cresci de uma maneira bastante difícil de explicar.
Aprendi a buscar soluções para qualquer problema, a ultrapassar limites, a falar uma língua nova, a navegar em um sistema no qual eu não fui acostumada desde pequena. Isso me fez forte, sim, me trouxe a mentalidade de que eu posso fazer e aprender o que eu quiser, mas ao mesmo tempo, me levou ao MEU limite de cansaço.
Cansei.
De uma maneira em que todas as minhas forças para continuar lutando simplesmente se esgotaram.
Isso também faz parte da dor, e da beleza, das minhas escolhas.
E hoje vim aqui te contar isso, pra desromantizar um pouco do que é a vida no exterior.
Muita gente tem a ideia, ou até a ingenuidade, de acreditar que ir para o exterior significa automaticamente conseguir um trabalho, ganhar bem, em euro, e ficar rico.
Na verdade, para a grande maioria esmagadora das pessoas, não é isso o que acontece.
A gente continua lutando muito por aqui também.
E aí cabe a cada um decidir se faz sentido ou não continuar essa batalha.
Mas como tudo nessa vida tem luz e sombra, alto e baixo, coisas boas e difíceis, coisas incríveis também aconteceram por aqui. E é assim que quero concluir esse texto: com coisas boas.
Porque a minha vontade é trazer a verdade do que acontece do lado de cá.
E, sendo coerente com o que eu sempre fui na vida, o lado bom sempre vai ter mais peso.
No dia 01.01.2026 aconteceu algo que eu desejei por muito tempo.
Fui pedida em casamento pela pessoa que escolhi compartilhar a minha vida.
Que se tornou meu melhor amigo, minha melhor companhia, cúmplice, grude… e o amor da minha vida.
É isso mesmo. Marco e eu estamos noivos. Com casório marcado. =D
E talvez por isso tenha sido tão difícil aceitar o burnout nesse momento.
Olha como a vida é…
Em meio a uma das fases mais bonitas da minha vida, também vivi um dos momentos mais difíceis.
Mas ainda assim, dentro desse momento, eu continuo buscando o que tem de melhor.
Tive ainda mais certeza da escolha mais importante da minha vida, que é o Marco.
Ele esteve e está ao meu lado o tempo inteiro.
Me apoiando, me sustentando, sendo colo, carinho e escuta.
Então sim, eu acredito que Deus escreve certo por linhas tortas.
E que, por mais que a gente tente controlar, pouquíssimas coisas estão realmente no nosso controle.
Agora, me sentindo cerca de 80% recuperada, sigo com o planejamento do nosso casamento e volto aqui, e no Instagram, para trocar com essa comunidade incrível.
Nesse meio tempo, também tivemos o caos no nosso mundo da cidadania italiana.
E eu não tenho dúvidas de que isso contribuiu significativamente para o meu problema de saúde.
Além de ter sido um golpe duro na minha história, assim como na história de muitos ítalo-brasileiros, também teve um impacto muito grande no meu negócio.
Não tem muita gente falando sobre isso, mas é óbvio que abalou muitas empresas da área.
Nesses 9 anos trabalhando com isso, nem sei quantas vezes pensei em desistir.
E, de alguma forma, uma força maior sempre me fez continuar.
Mas viver nessa instabilidade, com esse instinto de sobrevivência em alerta o tempo inteiro, me trouxe até aqui.
E foi aí que comecei a buscar uma outra alternativa.
Ainda estou nesse processo.
Não sei exatamente o que vou encontrar no mercado italiano, mas decidi tentar e ver no que vai dar.
Como será? Não tenho a menor ideia.
Mas uma coisa eu sei: nunca vou conseguir me desconectar completamente do mundo da cidadania italiana.
E tudo o que eu puder fazer para continuar sustentando essa ponte entre Brasil e Itália, eu vou continuar fazendo.
Então, continue contando comigo.
E se você precisar atualizar seu AIRE, traduzir alguma certidão, registrar um filho menor, solicitar passaporte ou buscar documentos aqui na Itália, é só entrar em contato:
